29 Apr

A tecnologia dos cupins

Cupins 

Cupins ou térmitas são os nomes populares para os insetos que se alimentam de celulose, ou seja, madeiras e seus derivados.  Seus principais focos são móveis, portais, estruturas de madeira antiga ou de baixa densidade, como MDF e compensados.   Estas pragas são conhecidas devido aos danos de ordem econômica que afetam tanto áreas urbanas quanto rurais.

Móveis não afetados ou pouco afetados pelos cupins

Os móveis de madeira de lei como a maçaranduba, andiroba, jacarandá, mogno entre outras, dificilmente sofre ataques de cupins, pois estes não conseguem perfurar madeiras de alta densidade. Por tanto ter móveis de qualidade em casa é uma das formas de evitar estas pragas.

Os cupins só comem madeira?

Não, na verdade existem espécies de cupins que podem consumir uma diversidade de outros alimentos tais como detritos; solo, seus componentes orgânicos e minerais; líquens e até mesmo outros cupins, consumindo seus ovos ou cadáveres . Muitas vezes a alimentação através dos ovos se faz necessária para o controle populacional da própria colônia (Lima & Costa-Leonardo 2007).

Importância ecológica

Apesar dos cupins sempre aparecerem como os vilões da história, pois destroem tudo o que vêem pela frente. Eles tem um importante papel ciclo de nutrientes. Atuam junto com fungos e bactérias nos processos de decomposição desempenhando papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas.

Cupins subterrâneos
Cupins subterrâneos

Cupins e a organização social

Cupins possuem metamorfose incompleta, sendo as fases do processo de desenvolvimento ovo, ninfa e adulto. Todas as espécies são verdadeiramente sociais. Vivem organizados em sociedades onde cada grupo “casta” desenvolve determinada função que é indispensável para o bom funcionamento da colônia.  A casta reprodutiva é composta pelo rei e rainha, estes são responsáveis pela reprodução dos indivíduos do ninho. As operárias desempenham o papel de coletoras, transportadoras de alimento e constroem o cupinzeiro. Os soldados tem a função de proteger o cupinzeiro de inimigos e podem também auxiliar as operárias em suas funções.

As Castas de cupins

As castas permanentes não apresentam asas e são compostas pela rainha, rei, operárias e soldados, enquanto que as castas temporárias são formadas por indivíduos reprodutores, rei e rainha que apresentam asas. Estes últimos são conhecidos como aleluias. Estes “tipos” de cupins no final da primavera e início do verão entram em nossas casas ao anoitecer atraídos pela luz artificial. Durante a reprodução perdem as asas e procuram um lugar adequado para dar início à formação de um novo cupinzeiro. Na primeira escavação é construída uma galeria que termina numa câmara nupcial onde o casal irá copular e logo em seguida a fêmea faz a postura dos ovos.  Cerca de um mês depois as formas jovens começam a aparecer. Logo que iniciam a sua locomoção vão desempenhando todas as funções dentro da colônia, menos é claro a de reprodução (Zanetti 2010). 

A casa dos cupins: os cupinzeiros

Os cupinzeiros servem de morada para toda a colônia. São formados de uma pasta de terra que contém fragmentos de madeira,excrementos (fezes) e saliva dos próprios cupins. Possuem em sua estrutura uma série de tuneis em formas de labirinto e câmaras em camadas. Conforme a colônia cresce o cupinzeiro cresce também. Muitas destas câmaras se alargam e ficam vazias servindo de abrigo para diversos outros artrópodes, répteis, pequenas aves e mamíferos.

Camadas e partes constituintes dos cupinzeiros

  • Camada externa é composta de terra endurecida pela saliva dos cupins, é a parte mais externa e está em contato direto com o meio ambiente servindo de proteção para a colônia.
  • Câmara nupcial é uma das primeiras partes a serem formadas, se alojam nela o casal real e seus ovos.
  • Canais de comunicação são galerias periféricas que se comunicam com o ambiente externo.
  • Bolsas de manutenção climática espaço entre o cupinzeiro e o solo serve para manter constantes a temperatura e umidade.
  • Camada de celulose local onde ficam armazenados os recursos alimentares. Também serve para abrigar as formas jovens. É a maior parte do cupinzeiro (Zanetti 2010).

Existem vários tipos dependendo da espécie do cupim. Por exemplo: cupins-de-madeira-seca fazem ninhos com galerias e câmaras simples; cupins-de-terra-solta fazem cupinzeiros subterrâneos; murundus fazem montículos.

Cupinzeiro gigante

Pesquisadores descobriram um cupinzeiro gigante no nordeste brasileiro. Este tem mais de quatro mil anos de existência. Segundo matéria publicada recentemente na Revista internacional Current biology, uma única espécie de cupim escavou essa enorme rede de túneis e galerias que oferecem acesso aos recursos alimentares como folhas mortas. Esse sistema subterrâneo permite que os cupins se desloquem e facilmente e se alimentem em segurança (Martin et al. 2018).

Referências

LIMA, J. T. & COSTA-LEONARDO, A. M. 2007. Recursos alimentares explorados pelos cupins (Insecta: Isoptera). Disponível em: http://www.biotaneotropica.org.br/v7n2/pt/abstract?thematic-review+bn04007022007. Acesso em: 13 fev. 2019.

MARTIN et al. 2018. A vast 4,000-year-old spatial pattern of termite mounds. Disponível em: https://www.cell.com/current-biology/pdf/S0960-9822(18)31287-9.pdf. Acesso em: 13 fev. 2019.

ZANETTI, R. et al. 2010. Manejo integrado de cupins. Lavras: Departamento de Entomologia, Universidade Federal de Lavras, (Notas de aula da disciplina Entomologia aplicada (ENT-109). Disponível em: http://www.den.ufla.br/attachments/article/73/Aula5_MIP_CUPINS.pdf. Acesso em: 13 fev. 2019.