20 May

Dengue, Zika e Chikungunha - População em alerta para as arboviroses

Você sabe o que são arboviroses? 

Arboviroses ão viroses causadas por um arbovirus, que nada mais é do que vírus que se utiliza exclusivamente de um artrópode para transmitir a doença. 

Mas porque esse nome estranho ARBOVIRUS? 

Este nome é originário da sigla em inglês ARthropod BOrne VIRUS. 

Mas o que são artrópodes? 

Artrópodes são o maior grupo de animais existentes no planeta, sendo mais de 20.000 espécies. Esse grupo tem como característica principal as patas articuladas. Fazem parte deste grande grupo, animais como os mosquitos, as aranhas, gafanhotos, escorpiões, carrapatos, etc. Mosquitos que se alimentam de sangue (hematófagos) são os principais vetores de arboviroses, sendo o principal transmissor de doenças  como dengue, Zika, Chikungunha e febre amarela o  mosquito Aedes aegypti. 


Os perigos das arboviroses para a saúde da população

Não é novidade para ninguém os problemas causados para a saúde das pessoas que são infectadas por arbovirus. Os sintomas são inúmeros, desde estado febril leve e indiferenciado a febris neurológicas, dores articulares ao estágio hemorrágico (Donalísio, 2017). Em casos mais extremos, mas não menos comuns, pode levar um indivíduo a morte. 

O que temos mais visto são pessoas que pegam principalmente Chikungunha e passam dias, meses e existem relatos de até anos com dores nas articulações, podendo esta causar artrites crônicas.  Esses sintomas são incapacitantes, impedindo das pessoas realizarem as atividades diárias mais simples e causando prejuízos de ordem econômica, já que estas pessoas ficam impossibilitadas de trabalhar. 

É verdade que os sintomas do arbovirus pode voltar?

Em algumas pessoas o arbovirus causador da Chikungunha é cíclico, ou seja, os sintomas, principalmente as dores no corpo podem voltar. Segundo Jornal O Globo (on-line) existem relatos de muitos pacientes após a fase aguda da doença, continuaram a sentir dores nas mãos, nos pés e até na coluna cervical. 

Mosquitos de reproduzem muito mais no verão que no inverno

Mosquitos de reproduzem muito mais no verão que no inverno. Isso porque, em países de clima tropical como o nosso, o período chuvoso se concentra nos meses mais quentes do ano, enquanto nos meses mais frios a concentração e volume de chuvas são menores. 

Mudanças climáticas globais estão interferindo em nosso clima

As mudanças climáticas globais estão interferindo em nosso clima, isto é um fato. As médias de temperatura tem aumentado nos os meses de outono. Quanto mais altas forem as temperaturas maior o índice de evaporação, isso aumenta a formação de nuvens e consequentemente chove mais. Por isso tem chovido mais do que o esperado nesta época do ano, fazendo com que os mosquitos causadores de arboviroses se multipliquem mais. 

Outro fator a ser levado em consideração são os fênomenos naturais como El Nino. Segundo Mendonça (et al. 2009) alterações no tempo e no clima influenciam na proliferação dos vetores de doenças transmissíveis, como a dengue.

No Brasil os mosquitos se proliferam mais? 

Além das mudanças globais que afetam o planeta como um todo, no Brasil passamos por vários problemas sócio-ambientais. A falta de gerenciamento de resíduos sólidos, ausência em muitos lugares de saneamento básico e de infra-estrutra urbanística, além de desmatamentos entre outros só aumentam as chances de proliferação de mosquitos.

Medidas preventivas: nossas velhas conhecidas 

Já estamos cansados de conhecer as medidas que devem ser adotadas para evitar a proliferação de mosquitos em áreas urbana. Mas será que estamos colocando o que sabemos na prática? Ou será que estamos esperando o verão chegar para retornarmos as nossas práticas anti-mosquitos? O que será que aconteceu para termos um novo surto em um período não propenso a proliferação de mosquitos?
É preciso lembrar que as medidas preventivas devem ser uma rotina em nossas vidas. Evitar o acúmulo de água em nossas residências e/ou locais onde trabalhamos deve ser um trabalho constante. 

Só para relembrar: Não acumular água parada 

  • Não armazenar vasilhames em áreas externas
  • Esvaziar recipientes em quintais e jardins, como o pratinho das plantas, que possam acumular água. É importante verificar também os copos de bromélia, laguinhos artificiais e fontes. 
  • Não deixar água da cisterna ou tonel para armazenar água sem tampada, ou melhor vedada para que mosquitos não tenha acesso à água. 
  • Estar sempre tirando água acumulada de lajes e do quintal, importante ficar de olho nos ralos!
  • Estar atento a água da piscina para que não vire um criadouro de mosquitos
  • Manter as calhas limpas e verificar sempre após uma chuva para que a água não se acumule.
Cisterna sem tampa oferecendo risco de arboviroses.
Cisterna sem tampa oferecendo risco de proliferação do mosquito Aedes causador de arboviroses como a dengue. 

 

Outros locais que podem acumular água são:

  • Vasos sanitários com pouco uso
  • Geladeiras frost-free (com degelo automático)
  • Apoiador de copos em filtros e bebedouros
  • Bandejas de ar condicionado
  • Bebedouros de animais
Pneu com água parada dentro em quintal com mato, aumentando o risco de arboviroses.
Pneu com água parada dentro aumentando as chances de proliferação de mosquito da dengue. 

 

Descarte adequado do lixo

O descarte do lixo deve ser realizado de forma adequada, para evitar o acúmulo de água, tanto no quintal quanto em áreas públicas como nas calçadas. Nunca jogue seu lixo em terrenos baldios! isso contribui e muito para a proliferação de mosquitos e outras pragas. Isso provoca o aumento do surto de arboviroses e de outras doenças. 

Sensibilização da população

Outra questão é a sensibilização da população. Os seus vizinhos devem se conscientizar da importância de todos fazerem a sua parte. Umas das formas conscientizar seus vizinhos é falar com o seu síndico para levar para a reunião o tema. Distribua por sua rua ou condomínio cartazes sobre medidas simples que podem ser tomadas em casa. Isso faz com que as pessoas não esqueçam de verificar se a água está acumulada. Realize mutirão contra o Aedes. Faça a diferença e ajude no combate das arboviroses dengue, Zika, Chikungunha e febre amarela. Não se esqueça que esta são as principais, mas existem outras tais como o mayaro.

Medidas corretivas 

Além da eliminação dos focos, deve ser realizado o manejo populacional do mosquito, que pode ser por controle químico ou biológico. É muito importante a avaliação do local a ser desinfestado. Muitas vezes o problema "mora ao lado" dificultando o controle populacional já que os mosquitos são alados e voam em qualquer direção, muitas vezes reinfestando locais tratados. 

Esses procedimentos devem ser realizados por um profissional capacitado de órgãos públicos ou empresas especializadas em controle de vetores e pragas que tenham os seus devidos certificados e registros. 

Medidas preventivas é sempre melhor do que medidas corretivas

Caso apareça larva de mosquitos ou mosquitos adultos na sua casa é preciso eliminá-los. A melhor forma de eliminar mosquitos é não deixá-los nascer. Eliminando os focos de água parada é impossível que o mosquito se prolifere já que ele depende da água para completar o seu ciclo de vida (a larva é aquática). Existem muitos larvicidas no mercado. É preciso tomar cuidado se você for utilizar desta água para beber. Segundo Bastos (2016) não exitem comprovações científicas de que o uso de água tratada por larvicidas é potável. Também não é qualquer tipo de larvicida que existe no mercado que foram avaliados e autorizados para uso em água potável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Deve-se estar atento a dose correta dos larvicidas. 

Outra medida corretiva muito utilizada em vários municípios brasileiros é o fumacê. Este método de controle mata não só os mosquitos mas outros animais como abelhas, que são benéficos ao meio ambiente, causando grande desequilíbrio ecológico.  

Larvas dentro da água.
Larvas do Aedes aegypti dentro da água. A fase larval (aquática) é anterior a fase adulta que é terrestre (aérea). 

Uma solução emergencial

Diante deste cenário de um grande número de pessoas infectadas, diante da falta medidas que evitem a contaminação tais como vacinas, se fazem necessárias medidas urgentes tanto por parte da população quanto dos governantes para que possam atuar de maneira conjunta com a finalidade de reduzir novos casos e mortes por arboviroses.

Para saber mais sobre o controle de mosquitos e como evitar arboviroses: https://www.sanitas.com.br/pragas/insetos-alados/mosquitos

Referências

Mendonça, F. A. et al. 2009. Saúde pública, urbanização e dengue no Brasil. Sociedade & Natureza, Uberlândia, 21 (3): 257-269. 2009.

O Globo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/rio/chicungunha-deixa-rastro-de-dor-que-pode-durar-meses-diz-especialista-19519170. Acesso em: 24 mai.2019.